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Lei Estadual de Incentivo à Cultura

Filarmônica apresenta a História da Orquestra Clássica em concerto transmitido direto da Sala Minas Gerais

Com regência do maestro Fabio Mechetti e solo do Principal Violista Assistente da Orquestra, Mikhail Bugaev, o concerto será transmitido pelo canal da Filarmônica no YouTube e pela Rede Minas de Televisão. A presença do público ainda não está autorizada.

O Classicismo conferiu à orquestra sinfônica um status institucional muito importante na cultura musical europeia. Essa estrutura formalmente definida se perpetuou ao longo do século XIX até os dias de hoje. A Filarmônica de Minas Gerais apresenta, no dia 8 de maio, às 18h, na Sala Minas Gerais, a história da Orquestra Clássica com participação do Principal Violista Assistente da Orquestra, Mikhail Bugaev que interpretará a obra Fantasia para viola em sol menor, op. 94, de Hummel. Ainda no programa, a Sinfonia nº 35 em Ré maior, K. 385, “Haffner”, de Mozart; Semiramide: Abertura, de Rossini, e Sinfonia nº 1 em Ré maior, op. 25, “Clássica”, de Prokofiev. A regência é do maestro Fabio Mechetti, Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica.

Este concerto terá transmissão ao vivo aberta a todo o público pelo canal da Filarmônica no YouTube e pela Rede Minas de Televisão, sem a presença de público no espaço, até que haja autorização das autoridades sanitárias.

Na Temporada 2021, a série Fora de Série contará a história do desenvolvimento das orquestras ao longo do tempo, em 9 concertos que abordarão: Orquestra barroca, Orquestra pré-clássica, Orquestra clássica, Orquestra romântica I, II e III, Orquestra Moderna I e II e a Orquestra contemporânea.

Este projeto é apresentado pelo Ministério do Turismo, Governo de Minas Gerais, Aliança Energia e Cemig, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Apoio: Rede Minas. Realização: Instituto Cultural Filarmônica, Secretaria Estadual de Cultura e Turismo de MG, Governo do Estado de Minas Gerais, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.

Maestro Fabio Mechetti, diretor artístico e regente titular
Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008, Fabio Mechetti posicionou a orquestra mineira no cenário mundial da música erudita. Além dos prêmios conquistados, levou a Filarmônica a quinze capitais brasileiras, a uma turnê pela Argentina e Uruguai e realizou a gravação de oito álbuns, sendo três para o selo internacional Naxos. Ao ser convidado, em 2014, para o cargo de Regente Principal da Filarmônica da Malásia, Fabio Mechetti tornou-se o primeiro regente brasileiro a ser titular de uma orquestra asiática.

Nos Estados Unidos, Mechetti esteve quatorze anos à frente da Orquestra Sinfônica de Jacksonville e, atualmente, é seu Regente Titular Emérito. Foi também Regente Titular das sinfônicas de Syracuse e de Spokane, da qual hoje é seu Regente Emérito. Regente associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington, com ela dirigiu concertos no Kennedy Center e no Capitólio. Da Sinfônica de San Diego, foi Regente Residente. Fez sua estreia no Carnegie Hall de Nova York conduzindo a Sinfônica de Nova Jersey. Continua dirigindo inúmeras orquestras norte-americanas e é convidado frequente dos festivais de verão norte-americanos, entre eles os de Grant Park em Chicago e Chautauqua em Nova York.

Igualmente aclamado como regente de ópera, estreou nos Estados Unidos dirigindo a Ópera de Washington. No seu repertório destacam-se produções de Tosca, Turandot, Carmem, Don Giovanni, Così fan tutte, La Bohème, Madame Butterfly, O barbeiro de Sevilha, La Traviata e Otello.

Suas apresentações se estendem ao Canadá, Costa Rica, Dinamarca, Escócia, Espanha, Finlândia, Itália, Japão, México, Nova Zelândia, Suécia e Venezuela. No Brasil, regeu todas as importantes orquestras brasileiras.

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Mestre em Regência e em Composição pela Juilliard School de Nova York e vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, da Dinamarca.

Mikhail Bugaev, viola
Mikhail Bugaev nasceu em Novosibirsk, Rússia. Durante sua formação no Conservatório Estatal de Novosibirsk, onde estudou com Yuri Mazchenko, Mikhail iniciou sua carreira profissional como membro da Orquestra Sinfônica de Novosibirsk e da Novosibirsk Kamerata. Em 2009, mudou-se para os Estados Unidos para prosseguir os estudos e, em 2013, completou seu doutorado na Michigan State University, sob orientação de Yuri Gandelsman. Durante esse período, Mikhail participou de masterclasses com Roberto Díaz, Roger Chase, Stanley Drucker e Valentin Berlinsky. Nos Estados Unidos, Bugaev tocou regularmente com Kalamazoo, Flint, Lansing e as sinfônicas de West Michigan e Traverse; foi músico convidado nas orquestras sinfônicas de Minnesota, Grand Rapids, Arkansas e West Virginia. Como solista, apresentou-se com a Orquestra Sinfônica de Novosibirsk, a Novosibirsk Kamerata e a Orquestra Sinfônica de Livingston. É um ativo músico de câmara, tendo participado de festivais com o Quarteto São Petersburgo, Yuri Gandelsman, Ilya Kaler, Suren Bagratuni e Walter Verdehr. Como educador, desde 2012 é membro do corpo de professores do Blue Lake Fine Art Camp.

Repertório
Wolfgang Amadeus Mozart (Salzburgo, Áustria, 1756 – Viena, Áustria, 1791) e a obra Sinfonia nº 35 em Ré maior, K. 385, "Haffner" (1782)

Em 1776, Mozart recebeu de seu amigo Sigmund Haffner filho, a encomenda de uma obra para celebrar o casamento de sua irmã. O pai de Sigmund, além de respeitado negociante, havia sido prefeito de Salzburgo. Mozart compôs então uma serenata em oito movimentos (K. 250). Em julho de 1782, Sigmund Haffner filho era elevado à posição de Cavaleiro do Reino. Leopold Mozart escreveu ao filho transmitindo o pedido de Sigmund de uma nova serenata para essa ocasião. Wolfgang vivia em Viena e estava sobrecarregado de trabalho. Ainda assim, para não desapontar o pai, resolveu aceitar a encomenda, prometendo enviar a nova obra, parte por parte, assim que fosse sendo composta. Em dezembro, Mozart pediu ao pai que lhe enviasse o manuscrito da “nova sinfonia que compus para o Haffner.” Embora fosse originalmente pensada como música de divertimento, e composta com muita pressa, era de qualidade ímpar. A estreia se deu sob sua regência, em concerto beneficente promovido pelo próprio Mozart, no Burgtheater, em 23 de março de 1783, e foi um sucesso.

Johann Nepomuk Hummel (Bratislava, Eslováquia, 1778 - Weimar, Alemanha, 1837) e a obra Fantasia para viola em sol menor, op. 94 (1822)

O caso de Hummel é tristemente representativo de muitos compositores do início do século XIX. Considerado hoje um precursor de Chopin e Liszt, além de ter sido protegido de Haydn em Esterházy, aluno de Mozart e amigo de Beethoven, caiu no quase esquecimento após sua morte. Felizmente, ele e outros estão voltando a desfrutar da popularidade que merecem. Até pouco tempo, a Fantasia para viola e orquestra em sol menor, op. 94 era conhecida apenas em outra versão com quase metade de duração. Dedicada a um amigo violinista, também pode ser encontrada com a denominação Potpourri. Foi composta em 1820 e publicada um ano depois acompanhada de uma versão para violoncelo e orquestra feita pelo próprio compositor (op. 95).

Gioacchino Rossini (Pesaro, Itália, 1792 - Passy, França, 1868) e a obra Semiramide: Abertura (1823)

Dotada de riquezas secretas, a abertura de Semiramide é um exemplo representativo dos processos estabelecidos pela opera seria italiana. Desde 1814, no posto de diretor dos teatros reais de Nápoles, Rossini deveria fornecer duas óperas por ano para a cidade, o que resultou em um notável repertório de opere serie. Composta em 1822, Semiramide, a última produção do compositor no gênero, estreou em 3 de fevereiro de 1823 no Teatro La Fenice, em Veneza. Foi escrita com libreto de Gaetano Rossi, que por sua vez se baseou na tragédia Sémiramis, de Voltaire. Já o filósofo francês se inspirou na lenda babilônica para escrever a obra de 1749. Com invenção melódica sempre tão rica e, em igual medida, grande expressão dramática, esta ópera antecipa a grand-opéra à francesa, que muito em breve seria reconhecida por autores como Halévy e Mayerbeer.

Sergei Prokofiev (Sontsovka, Ucrânia, 1891 - Moscou, Rússia, 1953) e a obra Sinfonia nº 1 em Ré maior, op. 25, "Clássica" (1916-1917)

A trajetória musical de Prokofiev divide-se em três períodos bem distintos – a fase russa, a ocidental e a soviética. É ao final da primeira fase que pertence sua Primeira Sinfonia. Em seus anos de estudante, ele entrou em contato com a obra inovadora de Debussy e Schoenberg. Intuitivamente, sua música se associava à estética da época, à pintura de Kandinsky e à literatura de Maiakovski. Aos vinte e cinco anos era bastante conhecido, e algumas de suas composições (entre elas, o Concerto para piano nº 2) causavam espanto pela aspereza harmônica e rítmica. A Sinfonia Clássica, concebida segundo os processos formais de Haydn, pareceu uma resposta do compositor. Na verdade, a motivação de Prokofiev era bem mais prosaica: tratava-se de compor uma sinfonia sem o auxílio do piano.

 

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Imagem: Flora Silberschneider